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02/02/2010 - Opinião: Ao comprar material escolar, pai não deve satisfazer toda vontade do filho
O início do ano sempre é marcado por gastos fora da rotina. Além do dia a dia, vem o imposto do carro, do imóvel, contribuição sindical e outros mais. Os pais se deparam com a lista de material escolar, o tênis e a mochila. Excluindo os livros didáticos, comuns a todos, tem uma série de itens que o aluno tem liberdade para escolher a marca e o visual da maneira que achar melhor. Entre eles temos cadernos, lápis, borracha, pastas, mochilas e tantos outros que, dependendo de qual se compra, podem encarecer a lista, que, em geral, não costuma ser barata. E os alunos já sabem o que querem. Há modelos para todos os gostos e bolsos, começando pelos personagens infantis, que são vários. Geralmente seus preços são altos, principalmente se envolvem algo que está na moda, como uma marca ou herói. Alguns alunos não abrem mão de certos produtos e os querem a qualquer custo. Entre os adolescentes, isso pode ser um problema visto que possuir algo parece dar a eles um status diferente e ser garantia de estar em determinada turma. É uma época em que procuram um grupo de identificação. O público infantil, constantemente bombardeado e influenciado pelas propagandas, encanta-se com esse material de visual bonito. Como as crianças vivem numa sociedade consumista, querem todos. Como tudo que é moda não dura mais que uma estação, o que servia para o ano anterior não serve mais para agora. Coisas em bom estado são desprezadas, contrariando a ordem do dia em tempos ecológicos, que nos ensina a aproveitar e valorizar o que temos. Aumento nos gastos Assim, os gastos para o retorno às aulas aumentam sem necessidade. Os pais, que já estão quebrando a cabeça com as contas para pagar, encontram mais essa questão. Afinal, lá no fundo eles gostariam de dar tudo o que os filhos pedem – também temem que eles sejam discriminados. A realidade dá um cutucão e mostra que nem tudo pode ser como a gente quer. E nem deve. Restam algumas alternativas: os pais contraem dívidas e levam para casa o material desejado; ou ensinam seus filhos a lidarem com o real. A segunda opção é mais indicada – os filhos devem ser ensinados a usar o dinheiro de maneira coerente desde cedo. Sempre, é claro, com o cuidado de não tolherem a expressão de seus desejos. Por isso, nada de repreendê-los dizendo que essas coisas são bobagens. Para eles, não são. Até porque, quem não gosta de um objeto incrementado? Pode ser dito a eles que, embora bonito, o item não cabe no orçamento, mas um outro de custo menor pode ser comprado. Ou mostrar-lhes que o do ano passado ainda serve e, no momento, não é prioridade sua substituição. Colocando-os a par das condições financeiras da família, será mais fácil deles compreenderem a atitude dos pais. Para que as coisas possam caminhar bem, os pais devem estar seguros disso e não ficar lamentando com o filho que não podem adquirir tal coisa, olhando o pequeno com ar de pena. Assim, eles poderão se sentir seguros do que têm e enfrentar um possível desprezo de algum colega. Pode ser um pouco complicado num mundo em que a aparência conta muito. No entanto, os pais precisam não relevar essas coisas em suas vidas, dando valor a algo pelo seu uso e não pela sua aparência. As coisas andam perdendo muito de seu valor real para o visual ou financeiro: quanto mais caro, melhor. Se os adultos se observarem, vão perceber que também são assim. Para alguns, basta sair algo no mercado para já adquirir, não podem ficar para trás. E os filhos aprendem igual. Porém, um adolescente não deixará de ser interessante por não usar determinado tênis. Se um grupo o aceitar só por causa disso, talvez ele não lhe sirva. É isso que se deve desde sempre mostrar para os pequenos. E conversar com eles caso sofram algum tipo de constrangimento. Algumas escolas já cuidam dessa questão utilizando a vestimenta e a maioria do material padronizados. Sempre resta algo que não cabe na lista. Aí pode entrar essa competição – eu tenho isso e você, não. É hora de valorizar o que se tem e o que se pode comprar. Quando criadas desde cedo com esse pensamento, mais fácil as crianças lidarão com as diferenças e saberão valorizar o que possuem. Caso contrário, poderão sofrer quando as coisas tiverem uma dimensão maior e não for possível tê-las, com o risco de se sentirem inferior por não possuírem determinado objeto. Boa volta às aulas.
Fonte: Ana Cássia Maturano -


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